Resenha Histórico-Desportiva da Colectividade
Em finais da década de vinte, do século passado, a ideia de ocupar os tempos livres de modo a mingar o ócio, após uma laboriosa e árdua semana de trabalho, começou a fazer sentido abrindo caminho à mente, rude mas aberta e objectiva da população, maioritariamente masculina, residente no alto da freguesia de Santa Maria Maior e respectivas zonas limítrofes.
A prática da actividade lúdico-desportiva passou a ser uma real necessidade.
Tudo começou com a prática de algo pretensiosamente parecido com o que é hoje o futebol. Praticado com regras de ocasião e num “chão” improvisado, situado onde hoje existe o “Estádio da Madeira”, pertença do Clube Desportivo Nacional, fez crescer o “bichinho” pela modalidade e na evolução da mesma.
A escassos metros, existia um casebre que servia de abrigo ao levadeiro que tinha a seu cargo a distribuição da água para regadio dos terrenos agrículas, aos agricultores das localidades próximas.
Reza a história que ali, um grupo de amigos, residentes nas zonas periféricas, começou a praticar o “pontapé-na-bola”. Além das inapropriadas condições oferecidas pelo irregular terreno, havia ainda um outro handicap. Os gigantescos troncos dos eucaliptos ali existentes, eram um enorme obstáculo para os improvisados atletas, fossem eles companheiros ou adversários de ocasião.
Contam os mais antigos, orgulhosamente, que a malta do Almirante Reis, convidada a defrontar os locais, nunca ali ganharam. Exageros à parte, fica o apontamento.
A verdade é que essa actividade lúdica, foi a génese para a criação de algo organizado e conjugar toda essa boa vontade em praticar desporto.
Foi assim que, a 24 de Agosto de 1930, nasceu o Choupana Foot Ball Club, nome adotado em alusão ao já citado casebre, imortalizando dessa forma o mesmo, infelizmente já desaparecido.
Foram sócios-fundadores os seguintes quinze elementos:
- Augusto Correia
- António Ferreira da Mota
- José Gomes Jardim
- Francisco Freitas
- Gaspar da Costa
- Manuel de Andrade
- José Lourenço Rodrigues
- Mário de Freitas
- João de Andrade
- José de Abreu
- João da Mota
- Antero da Mota
- Manuel Rodrigues
- Eduardo de Abreu
- José Gonçalves Câmara
A nível desportivo, o recém-criado clube passou a organizar e a participar em provas de atletismo para populares, jogos de cartas e de dominó.
Chegou a estar federado na prática de voleibol e de “ping-pong”, o atual ténis de mesa.
Nesta última modalidade, chegou a fazer furor entre as épocas quarenta e cinquenta, chegando mesmo a ser vice-campeão da Madeira, coletiva e individualmente. Na altura, o Clube Desportivo 1.º de Maio imperava.
Entre os imensos troféus conquistados e expostos, constam alguns em modalidades pouco usuais, como por exemplo Danças de Salão, o que prova que a população da localidade era possuidora de um apreciável nível sociocultural para a época.
Outra prova disso é o facto de, por vezes, se realizarem pequenos saraus teatrais, realizados num barracão improvisado num terreno pertencente à família Mota, à qual pertenciam três dos sócios fundadores. Aliás, era nesse mesmo terreno que, à data, tinham lugar a céu aberto os jogos de voleibol.
No futebol, a nível popular, existe a curiosidade de, em determinada altura, presume-se que na década de cinquenta, ter sido organizado um passeio a pé até à freguesia de Santana, onde se realizou um desafio contra uma equipa local.
Reza a história que o confronto, pretensamente amigável, descambou para outros caminhos, tendo o árbitro Aníbal Ferreira, residente na Choupana e conhecido pelo seu feito rebelde, se imposto e levado a bom termo o final da contenda, culminando com um aprazível e desejável convívio entre todos os participantes.
Com o passar dos anos, nasceu a brilhante e ousada ideia, da direção da altura, de construir um campo de jogos. Um sonho aparentemente irrealizável, mas que se tornou possível devido à coragem de alguns dirigentes da altura, à colaboração, trabalho e esforço da população e com a imprescindível colaboração e parceria com a firma “José Maria Branco”, que facilitou o empréstimo das escavadoras, sendo da responsabilidade do clube os honorários dos respetivos manobradores e o gasóleo consumido.
Foi ali, no velhinho “Campo do Pomar”, que se realizaram os famosos “Torneios de Verão” nas décadas de setenta e oitenta. Fizeram história. Como o futebol federado, à data da realização dos mesmos, estava no “defeso”, isso possibilitava incomparáveis enchentes. Equipas como o Benfica de Câmara de Lobos e o Porto do Amparo, principalmente, chegavam a organizar propositadamente excursões de modo a que os seus simpatizantes assistissem aos jogos. Havia enormes rivalidades, o que infelizmente dava azo a algumas escaramuças.
A página negra do Choupana Futebol Clube teve lugar em finais dos anos oitenta, quando um grupo de covardes selvagens assaltou a sede do clube e destruiu imensa documentação, a quase totalidade dos livros de uma pequena mas valiosa biblioteca, danificou a maioria dos troféus e partiu o televisor que, por acaso, até foi o primeiro a existir no sítio. Infelizmente, nunca foi possível apurar os autores dessa ignóbil ação terrorista.
Com a eletrificação e oficialização do recinto, o Choupana Futebol Clube passou a participar nas provas federadas organizadas pela Associação de Futebol da Madeira, inicialmente nas categorias jovens e mais tarde em seniores, no chamado Torneio de Promoção.
Com a subida à Terceira Divisão, a ambição não esmoreceu e a subida à Segunda concretizou-se em 1985/1986. Os tempos eram outros e tivemos a sorte de, na altura, termos um patrocinador com vontade de investir. Só desse modo nos foi permitido sonhar com a Primeira Divisão.
Essa foi uma realidade concretizada em 1989/1990, depois de uma permanência de quatro anos na divisão anterior.
Palmarés mais relevante:
- Campeão da I Divisão, em 1999/2000;
- Campeão da II Divisão, em 1988/1989;
- Vice-Campeão da III Divisão, em 1984/1985;
- 2.º classificado da Taça Zona do Funchal, em 1991/1992;
- 3.º classificado da Taça Zona do Funchal, em 1990/1991.
Um troféu que muito orgulha o Choupana e as suas gentes é a Taça Disciplina, conquistada na época 2005/2006.
Outro troféu de relevo é o “Prémio Dedicação – Dirigente do Ano”, atribuído em 2006/2007 ao nosso dirigente Carlos Ferreira.
Esta é a resenha possível de um pequeno clube que se orgulha da sua história, embora muita dela tenha sido delapidada pelos atos covardes acima apontados, o que impede uma exposição mais credível do real historial do Choupana Futebol Clube.